Sunday, March 17, 2013

Nietzsche for Dummies

by Sir Anyhony Silva


Dizia um conterrâneo meu, cantor de certa fama, que "se você tem uma ideia incrível / é melhor fazer uma canção / esta provado só é possível filosofar em alemão". Não deixa de ser verdade, mas vejo a coisa de outro modo: se você é um alemão com um nome "inescrevível", formado praticamente apenas por consoantes, é sempre mais prudente arriscar a sorte como filósofo em vez de tentar a carreira artística. Foi exatamente por essa razão que Friedrich Nietzsche, a exemplo de Schopenhauer, acabou se tornando filósofo. 

Alguém poderia objetar que Schwarzenegger, apesar do nome, teve sucesso em exprimir sua profunda visão metafísica, ontológica e niilista, por meio do cinema, mas Schwarzenegger é austríaco. Portanto, próximo, por favor. 

Filho e neto de pastores protestantes, Nietzsche rejeitou as crenças de sua família e tornou-se um feroz crítico da religião e amante da sabedoria. Mas esta, pelo jeito, não era muito católica: posso até imaginar o Rev. Nietzsche Pai dizendo que se o filho rebelde, em vez de ter sido "amante da sabedoria", tivesse encontrado uma moça direita e casado na igreja, não teria contraído sífilis - doença que tanta influencia teve sobre seu pensamento, sobretudo em seus últimos trabalhos.




Mas o que ele dizia, afinal? Logo de saída, criticava todo o pensamento pós-socrático, afirmando que tudo ia bem na Grécia, berço das artes, do esporte, das ciências e, enfim, de tudo o que valia a pena. Aí chegou Platão, falando grego pra moçada, e resolveu separar o mundo físico do "ideal", praticamente inventando o papo "cabeçóide" que um dia geraria caras como Foucault, Derrida, e, em ultima análise, as mostras de cinema. 

Pior que tudo, segundo Nietzsche, era que o idealismo platônico havia aberto o caminho para o cristianismo. Pra ele, a Igreja era o Platão do povo (na improvável hipótese de haver um post “Sto. Agostinho for dummies”, voltamos a falar no assunto). Entre outras coisas, Nietzsche também pregava, por assim dizer, que Deus estava morto, significando, no seu estilo exagerado, que a função que as pessoas historicamente atribuíam à religião passara a ser desempenhada pela ciência. Por exemplo, se o camarada tem uma apendicite, ele ate pode ir na igreja e pedir salvação, mas depois vai ao médico pra ver o que dá pra ser feito. 

Tal filósofo achava que a coisa devia ser por aí mesmo, apesar de também tecer críticas a modernidade. Aliás, pelo conjunto da obra, você percebe que ele teria criticado ate o João Gilberto e os Médicos sem Fronteiras se tivesse tido tempo. A doença venérea que finalmente o levou à loucura e morte fez maravilhas pela sua auto-estima e, no fim da vida, ele escrevia textos como "Por que sou tão sábio?" e "Por que escrevo tão bons livros?" (Queria ter inventado isso, mas são títulos reais de capítulos do seu livro "Ecce Homo" – cuja graça se perderia na tradução). 

O conceito central no pensamento de Nietxszuplick era a chamada "vontade de potência", que se manifesta, por exemplo, nos impulsos vitais do ser humano para o progresso, para a conquista, para a exuberância do corpo e para a pratica do tipo de violência brilhantemente exemplificado na obra de Schwarzenegger. 

A apropriação de seus conceitos por correntes reacionárias, anti-semitas e nazistas, foi totalmente injustificada: se é verdade que ele desprezava o judaísmo, nada indica que simpatizava com os Hare Krishina. A religião, dizia o filósofo, tenta negar o instinto selvagem (e a cruzada de perna da Sharon Stone!!!). A repressão dos instintos, dizia ele, necessariamente causa azia e má digestão. Somente canalizando toda essa energia para coisas criativas e grandiosas, como a música, a poesia e o mixed martial arts, o homem poderia seguir para o alto e avante, rumo ao que está além do homem, o que ele chamou de, adivinha? "Super-Homem". 

Enfim, se você tem uma ideia incrível, é melhor fazer um gibi.


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