Saturday, March 02, 2013

Mercado Financeiro for Dummies

by Pedro Tolentino


Faz algum tempo que não escrevo um texto da série "for dummies", só que dessa vez não vou escrever sobre uma "pessoa", e sim sobre uma "coisa" (apenas quem é da geração que jogou "Perfil", o extinto jogo da Grow, vai entender a "sacadinha").  

Este texto serve para explicar alguns conceitos básicos e sobre o tema (para os não iniciados) e, como de praxe, serão utilizados exemplos ilustrativos do mundo do futebol e da música, de forma a facilitar o entendimento.


O mercado de Ações:

Ao comprar uma ação, você vira sócio da empresa (mesmo que suas ações representem algo como 1x10⁻⁷% de participação na mesma).  O valor da ação vezes o número total de ações emitidas é o valor que o mercado atribui à empresa.  

O valor da empresa (que resulta no valor da ação) é definido conforme a expectativa que o mercado tem do desempenho futuro da companhia. Dito isso não vou entrar em maiores detalhes sobre valuation de empresas. Não neste post, quem sabe um dia quando lançarmos o borainvestir.com...  O investimento em ações pode trazer retornos mais altos, porém é mais arriscado. Ao colocar seu dinheiro na poupança você tem um retorno "Garantido", ao colocar seu dinheiro em ações você tem um retorno "Caprichoso", cada investidor escolhe o "boi bumbá" que mais se adequa ao seu perfil.




O mercado de Opções (ou mercado futuro):


Birkin by Hermés
pra quem quer investir pesado na bolsa
O pessoal do "boi Garantido" é avesso ao risco. Um agricultor com este perfil, que planta soja, mas só vai colher daqui a seis meses, quer garantir desde já um preço mínimo pro produto. Uma forma de fazer isso é ter uma "opção de venda" para daqui a seis meses, a um preço X.  Se o preço de mercado da soja estiver abaixo do preço pré estabelecido ele "exerce" a opção e vende ao preço pré-fixado, caso contrário vende ao preço de mercado.  

Obviamente isso não é de graça, o agricultor tem que pagar para ter essa opção (tem sempre um "Caprichoso" disposto a vender opções, ao preço certo). Quem compra uma opção de venda futura da ação da empresa X está, na prática, apostando contra a empresa (para quem tem opções de venda das ações do Barcelona, por exemplo, uma contusão grave do Messi seria uma ótima notícia).


Exemplos ilustrativos no futebol:

Claudio Coutinho (treinador da seleção brasileira na copa de 1978):  Tentou, sem sucesso, ensinar aos seus jogadores conceitos como "ponto futuro" e "overlapping" (este último pode não ser um termo financeiro, mas não faria feio em um relatório do Goldman Sachs).  No final da copa só sobrou a Coutinho o título de "campeão moral" que, assim como títulos da dívida da Grécia, não tem valor de mercado.

Seleção Peruana na copa de 1978:  Todo mundo fala que a seleção do Peru estava "comprada" no polêmico jogo em que levou de 6x0 da Argentina (resultado que eliminou o Brasil, pois a Argentina nos passou em saldo de gols).  Se olharmos a definição financeira de "estar comprado" do UOL economia (Ter assumido posições de compra em contratos futuros, na expectativa de uma alta no preço da mercadoria ou derivativo negociado), é bem provável que a seleção do Peru estivesse realmente comprada (em Argentina) e talvez também vendida (em Brasil).



Exemplos ilustrativos na música:

Lulu Santos: É otimista, investiu recentemente em opções de compra futura de commodities e em ações de empresas que estão, segundo ele, subvalorizadas. Em entrevista à Exame Lulu falou que vê uma vida melhor no futuro, apesar do muro de hipocrisia que insiste em nos rodear.

Chico Buarque: Já perdeu muito dinheiro em operações arriscadas de derivativos, mas nunca se deixou abater, ao final do pregão costumava dizer "amanhã, vai ser outro dia..."

Miguel Gustavo (compositor de "Pra frente Brasil"):  Era o "George Soros" brasileiro na década de 1970, afinal, pra investir "90 milhões em ação" tem que ter cacife...

Tim Maia:  Concentrava 100% do seu portfolio em uma única empresa; VALE, VALE tudo...

Paulinho da Viola:  O grande visionário do setor de energia, foi ridicularizado por todos quando pregava um futuro promissor para a energia eólica, já em 1975 Paulinho defendia que "dinheiro na mão é vendaval"...




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