Tuesday, March 26, 2013

Eduardo e Mônica? de Novo? Por que não?

by Pedro Tolentino


Certeza que foi o Supla 
que ficou de recuperação
Devido à falta de inspiração coletiva e porque o boraver.com é cara de pau mesmo, resolvi insistir no tema do post anterior (interpretação de músicas da Legião Urbana), não satisfeito fiz um texto interpretando exatamente a mesma música que o amigo Luciano Milici havia abordado no post anterior (Eduardo e Mônica).

Afinal pra que se arriscar no ataque quando você pode ficar tocando de lado no meio campo?  A única especificidade nesta nova interpretação é que transportei a música de 1986 para 1994.  A suposição é que Eduardo tem a minha idade (nasceu em 1978) e conheceu Mônica aos 16, em 1994.  Bom, vamos ao que interessa:

“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?” – Algum filósofo alemão já deve ter dito uma destas duas coisas, e algum outro já deve ter discordado...

 “Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram” – Poucos sabem, mas esta cena aconteceu num sábado às 6 da manhã, o cursinho pré vestibular do Eduardo tinha aula de matemática aos sábados, das 7:30 às 12:00, naquele sábado a aula era de trigonometria, (qual o seno da tangente do coseno aos 43 graus Farenheit?).  Eduardo mal tinha entendido o teorema de Pitágoras, vai querer se levantar?


“Enquanto a Mônica tomava um conhaque no outro canto da cidade, como eles disseram” –  Conforme mencionado anteriormente, Eduardo estava com dezesseis anos quando conheceu Mônica, e como "ela se formou no mesmo mês, que ele passou no vestibular", podemos estimar que Mônica tinha 20 ou 21 anos.  Porque ela estava tomando um conhaque às 6 da manhã?  (1) Porque universitário não tem muita grana e conhaque te deixa bêbado a um custo baixo e (2) Porque aos 20 anos você é indestrutível, o conhaque das 6 da manhã não te dá azia e no dia seguinte Mônica acordará pronta pra próxima.

 “Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer, um carinha do cursinho do Eduardo que disse:  Tem uma festa legal e a gente quer se divertir” - aqui rolou um super "peer-pressure", Eduardo tinha marcado, após a novela, um futebol de botão com seu avô, mas caso negasse o convite por esse motivo seria taxado de nerd e sofreria bullying (que, na época, era permitido).

 “Festa estranha, com gente esquisita” – Eduardo viu duas mulheres se beijando, depois dois caras, e percebeu que o banheiro era unissex.

 “Eu não tô legal, não aguento mais birita” – Para tentar se sentir mais à vontade Eduardo começou a tomar uísque cowboy (Old Eight, era o que dava com a grana do Eduardo), resultado, queimou a largada...

 “E a Mônica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar” – O termo "boyzinho" é aplicado aqui porque Eduardo estava vestido com uma camiseta do "Hard Rock Café - Miami", uma calça jeans da Zoomp, um cinto da Victor Hugo com aquela fivela dourada gigante e um mocassim daqueles em que a sola é cheia de "pininhos" de borracha, com franja e tudo.

 “E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa ´É quase duas, eu vou me ferrar” - O avô do Eduardo (aquele do futebol de botão), acordava várias vezes durante a noite, e certamente saberia dizer a que horas o Eduardo havia chegado em casa, em plena terça-feira.

“Eduardo e Mônica trocaram telefone, depois telefonaram e decidiram se encontrar” – telefone fixo, em 1994 a maior parte das pessoas abaixo de 25 anos ainda não tinha celular, o Renato Russo deixa a dúvida de quem ligou pra quem, talvez o grande mistério a ser desvendado...

“Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard” – Eduardo, para acalmar o nervosismo do primeiro encontro, havia fumado um baseado (um dos primeiros de sua vida) e a larica batia forte, um "x-tudão" com muita maionese, batata frita e milk shake cairia como uma luva".  Aí a Mônica propõe um filme francês, naqueles cinemas alternativos que não deixam nem comer pipoca...  "Pelo menos se o filme é francês vai rolar peitinho" pensou Eduardo.

 “Se encontraram então no parque da cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de "camelo", Eduardo achou estranho e melhor não comentar mas a menina tinha tinta no cabelo” – O Eduardo "Lawrence da Arábia" passeia de camelo pela esplanada dos ministérios, esta cena deveria estar no clipe da música... Quanto a comentar sobre a tinta no cabelo o que o Renato Russo esperava?  Que o Eduardo falasse algo como:  "Nossa, seu cabelo ficou o máximo neste tom castanho glacê, por acaso é Imédia Exellence, da L'Oreal?"

 “Eduardo e Mônica eram nada parecidos, ela era de Leão e ele tinha dezesseis”.  "Ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês"- Aqui o Renato Russo começa a desmerecer o Eduardo e endeusar a Mônica.  Em que faculdade ela fazia medicina?  Podia ser na UNIBOSTA, que foi fechada pelo MEC devido ao péssimo resultado no provão, e qual a utilidade de aprender alemão se na Alemanha todo mundo fala inglês?

“Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud” – Eu até acredito, mas de vez em quando não resistia e assistia (escondida) um episódio de "Melrose Place".

“E o Eduardo gostava de novela e jogava futebol-de-botão com seu avô” – peraí, vcs sabem que novela  estava passando na Rede Globo em 1994? "Fera Ferida", com direito a Maria Betânia cantando Roberto Carlos na abertura e Edson Celulari lançando moda com suas camisas "Flamel". Quanto ao futebol de botão, o Eduardo era um mestre e viciado no jogo até ganhar um Master System aos 13 anos, quando passou a dedicar mais tempo a "Alex Kidd in the Miracle World".  O jogo com seu avô era uma tradição nostálgica, o campo era polvilhado de talco, as barrinhas eram de madeira com rede de filó, os botões de acrílico comprados individualmente em camelôs do centro, os goleiros eram caixas de fósforo decoradas com escudos e patrocinadores cheias de porcas e parafusos pra fazer peso, finalmente o disco (que servia como bola) oficial era um "exército" da primeira edição do "War", que bonito é!!!

 “Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação” – Uma mistura de Budismo, Santo Daime e "Universo em Desencanto"

 “E o Eduardo ainda tava no esquema escola, cinema, clube, televisão” – Esquema limpeza...

 “E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente, uma vontade de se ver, e os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia, como tinha de ser” – Cara, Eduardo estava transando 12 vezes por semana, algo inimaginável para seus colegas da mesma idade, claro que a vontade crescia como tinha de ser...

“Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato, e foram viajar” – A parte do artesanato o Eduardo não contou pros colegas de classe, muito antes do slogan da Tigre o Eduardo já pregava o "fuja do mico".

 “A Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar” – ou seja, essas paradas de horóscopo e mapa astral...

“Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar” – "Aprender a beber e deixar o cabelo crescer, a chave para ter sucesso no mercado de trabalho",  havia sido a manchete da última Você S/A. 

 “E ela se formou no mesmo mês, que ele passou no vestibular” – verso informativo que serve para estimarmos a diferença de idade.

 “E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos, muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz" - a rima de arroz com depois foi legal...

"construíram uma casa há uns dois anos atrás, mais ou menos quando os gêmeos vieram, batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram” - o melhor do Brasil é o Brasileiro!!!

 “Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília, e a nossa amizade dá saudade no verão” – Eduardo e Mônica, passaram um tempo morando em São Paulo, tinham casa em Ilhabela e um belo veleiro.  O narrador da história, paulistano, sempre era convidado pra passar uns finais de semana, na faixa, na casa da Mônica e do Eduardo, por isso que a amizade dá saudade no verão...

 “Só que nessas férias, não vão viajar, porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação” – Tenho que concordar com o Milici, os gêmeos só vieram há dois anos (crianças de 2 anos não ficam em recuperação), o "filhinho do Eduardo" vem de outra relação, e você achando que o Eduardo era o bobinho...


Link para a primeira interpretação de Eduardo e Mônica, by Luciano Milici







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