Friday, February 22, 2013

O "Burro Motivado" 2ª parte - Desmotivando os Funcionários Incompetentes para Evitar Cagadas

By  Pedro Tolentino

pra esse aí o sonho acabou...
ainda bem!
No primeiro texto sobre o burro motivado, publicado ontem (clique AQUI para ler), explorei os motivos que fizeram com que este tipo de profissional se tornasse um fator de risco relevante para as suas próprias empresas.

À exceção do inteligente motivado (IMO), o funcionário ideal, porém raro e difícil de reter, os outros três tipos  citados no texto anterior têm seus defeitos. Com o mercado de trabalho aquecido, porém, os gestores vão ter que se virar com o que têm.

O "Burro Motivado" (BUMO) é o pior dos quatro tipos uma vez que:

- O inteligente desmotivado (IDE) não produz quase nada, mas de vez em quando faz alguma coisa de valor (nem que seja dar uma boa idéia).

- O burro desmotivado (BUDE) é um "cone do Detran", não faz nada, nem para o bem nem para o mal.

- Já o burro motivado (BUMO) é muito pior que o BUDE. O BUMO  quer botar a mão na massa, quer trabalhar, ajudar.  Ele se esforça, mas a sua completa incapacidade de realizar o trabalho a que se propõe, aliada à sua inabalável crença de que é capaz, tornam o BUMO o candidato ideal para fazer uma enorme cagada.

No primeiro texto, também exploramos as opções do gestor do BUMO e vimos que:
  1. Ex burro não existe, portanto torna-lo um IMO é impossível.
  2. Demiti-lo é sempre uma opção, mas as chances de (a) ter a vaga cortada pelo RH ou de (b) acabar contratando outro BUMO, são muito grandes.
  3. Como o lado "BU" não vai mudar, temos que investir no lado "MO". Desmotivando o BUMO, podemos transforma-lo em um BUDE (inútil, mas inofensivo).
Esta necessidade de desmotivar funcionários é um desafio novo para as áreas de RH, mas dado o risco que os BUMOs representam, virou prioridade nas metas da diretoria, e já tem gente explorando esse novo nicho.

As Palestras Desmotivacionais:

Um dos primeiros a explorar este novo nicho foi o treinador de voleibol Bernardinho, que comandou a seleção brasileira na última olimpíada.  O técnico, que até antes da competição faturava alto com palestras motivacionais, ajustou seu discurso após a virada histórica que levamos da Rússia na final.  Alguns exemplos clássicos utilizados por Bernardinho em sua nova palestra são:

- Sonhar alto nem sempre é uma boa estratégia, pois sempre haverá um meio de rede russo ainda mais alto que teus sonhos, e você termina ficando no bloqueio...
- Devemos acreditar o mínimo possível em nós mesmos, antes da final da olimpíada acreditávamos muito que podíamos ser campeões, e no final ficamos muito tristes (neste momento passam cenas de alguns jogadores aos prantos após a partida).  O melhor caminho, às vezes, é entrar achando que vai perder e, de preferência, não se esforçar tanto, assim a derrota é recebida com serenidade...

Outro que está faturando alto neste novo nicho é o ex treinador Zagallo, com sua palestra "O empate é um bom resultado, pense 13 vezes antes de partir para o ataque".

- O Zinho, por exemplo, era uma peça fundamental no meu time, e toda empresa precisa de seus "Zinhos", em tempos turbulentos como os que vivemos, tocar de lado e ficar "encerando" no meio campo é uma estratégia sensata...

Livros de "baixo-ajuda":

O mercado editorial também anda movimentado, o escritor Jorge Cavani está faturando alto com seu livro "Sem saber que era impossível foi lá e fez, resultado, se deu mal".  O livro conta a história do Padre Paranaense Adelir Antônio de Carli, que decolou de Paranaguá com destino a Dourados, no Mato Grosso, preso a balões de gás Hélio, mas acabou aterrissando no Oceano Atlântico.  Para Cavani a grande mensagem do livro é que não devemos fazer as coisas só por que "não sabemos que é impossível", devemos focar naquilo que sabemos que é possível, e mesmo assim cuidado, o que é possível pra muita gente pode não ser possível pra você!

Campanhas internas de desmotivação:

Além de patrocinar a inscrição dos BUMOs em palestras desmotivacionais,  o RH têm se esforçado em campanhas internas de desmotivação.  Um destaque é a Sbrubles S/A, que atua na área de bugigangas em geral.  O RH desta empresa instituiu o programa "baixo-ajuda do dia", todo dia os BUMOs recebem e-mails que trazem frases desmotivantes de pessoas famosas: o cantor e compositor Marcelo Camelo ("Eu que já não quero mais, ser um vencedor...") e o escritor irlandês Oscar Wilde ("O trabalho é o refúgio para os que não tem nada pra fazer") são exemplos do tipo de mensagem que a empresa quer passar ao seu time de BUMOs.

O diretor de RH da Sbrubles, Carlos Souza, sabe que o processo será longo e trabalhoso mas, segundo ele, já dá para perceber alguns avanços. Ao final da palestra desmotivacional de Bernardinho, ministrada exclusivamente para os BUMOs da Sbrubles, o Diretor perguntou se alguém queria fazer algum comentário e, pasmem, mais de 10% do público NÃO levantou a mão!!