Monday, February 25, 2013

No Escurinho do Cinema - avaliação dos resultados do Oscar por dois caras que não viram os filmes

by Pedro Tolentino e Sir Anthony



nosso cestinha brincando de estátua
Todo ano, nessa época, os principais veículos de imprensa do mundo dedicam ampla cobertura à premiação do Oscar. A indústria cinematográfica, claro, fica satisfeita com isso, mas a mídia também não têm do que reclamar, porque:

1) o Oscar é uma matéria fácil (usa o mesmo script do ano anterior), leve, cheia de glamour e imagens de gente bonita e (em geral) elegante. Tem jeito de noticia de verdade, mas sem qualquer implicação na vida real, exceto como propaganda dos filmes que serão vendidos em seguida no pay-per-view;

2) ao contrários dos tsunamis, que são eventos mais ou menos imprevisíveis e que só ocorrem quando querem, o Oscar é uma pauta programada, com data fixa e conhecida com antecedência;

3) rende bastante assunto: além de quem ganhou e quem perdeu, há sempre muito o que dizer sobre o que rolou na premiação em si, como "piada mais racista do apresentador" (sempre melhor quando dublada em português, à la comercial das facas Guinsu), ou "atriz que pagou peitinho usando vestido de grife".

A equipe do boraver.com não podia deixar de comentar um assunto tão importante mas, para evitar a mesmice dos outros veículos. decidimos fazer isso sem assistir nenhum dos filmes concorrentes (porque assistindo é fácil, até o Rubens Ewald Filho faz). Isso mesmo, a gente entende tanto de cinema que analisa até de olhos fechados.



Melhor Filme

Era meio óbvio que “Argo” venceria, o filme tinha muitos pontos que contaram a seu favor, vamos a eles:

O filme fala sobre um episódio que ocorre durante a revolução islâmica, e tem algumas cenas que se passam no Irã. É uma grande oportunidade para alguém que não tem saco pra ver filme iraniano dizer que viu um (gostar de cinema iraniano é "cool").

Defender o governo dos Aiatolás (que restringe a liberdade de expressão e é um tanto ou quanto machista) no entanto, não é "cool". O filme, apesar de "semi-iraniano", é contra o fundamentalismo islâmico. Ou seja, você sai do cinema com dois argumentos que contam a seu favor (sem precisar assistir um filme iraniano de verdade…).

A trama do filme descreve uma operação da CIA, que forjou documentos para convencer as autoridades iranianas que os reféns estavam lá para fazer um filme. Apesar deste "filme dentro do filme" ser de mentirinha, ele proporciona a quem a assiste "Argo" o direito de se gabar dizendo que assistiu logo dois filmes iranianos (super cool) quando, na verdade, não assistiu nenhum, uma oportunidade única…


Porque os outros perderam?

"Lincoln" tinha chances, mas perdeu o Oscar naquela cena (não vi, me contaram) em que o ex presidente norte Americano fala pro seu assessor: "não importa como, consiga os votos!", ou algo do tipo. Logo após o julgamento do mensalão nenhum juiz do Oscar quis se comprometer e todos preferiram não votar no filme, até o Lewandovsky pulou fora…

“A vida de Pi” claramente não levaria, afinal, quem se importa com a vida de um número irracional? Acho difícil que a cena onde ∏ encontra R² e eles se juntam para formar a fórmula da àrea do círculo tenha comovido muita gente além de alguns poucos matemáticos.

“Django” então não tinha a menor chance, se a história de um ex presidente Americano não ganhou, que dirá a de um ex presidente Brasileiro… Após a cerimônia, porém, Tarantino prometeu voltar "nos braços do povo" com seu próximo filme: "Djanio".


Melhor Ator:

Apesar do escândalo "a lá mensalão" ter prejudicado o filme “Lincoln”. Daniel Day Lewis, como presidente, conseguiu se manter afastado do caso alegando não saber de nada, e deixou que os coadjuvantes pagassem o pato. Saiu do filme, inclusive, com uma alta taxa de aprovação.


Porque os outros perderam? 

Joaquin Phoenix – Não dá pra botar fé no cara que perdeu aquela luta contra Russel Crowe em “Gladiador”. Phoenix lutava contra um adversário contundido e contava com o apoio da sua torcida (foi o “Coliseazo”, a versão romana do “Maracanazo”).

Denzel Washington – Teria chances, mas agora com a nova lei seca, o personagem de um piloto de avião bêbado e drogado é políticamente incorreto demais para levar o Oscar. Sugiro aprendermos com o filme e instalar uns bafômetros nas pistas de pouso dos nossos aeroportos.


Melhor Atriz

Depois de anotar no currículo uma serie de papeis irrelevantes em grandes produções e vice-versa, a atriz Jennifer Lawrence, 22, fatura sua primeira estatueta, numa trajetória meteórica (muito similar, inclusive, à do meteoro que recentemente se espatifou na Rússia). 

"Tentaram me derrubar, mas no fim eu ganhei" desabafou a atriz, levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima. "Quando eu acredito em um trabalho, eu mergulho de cabeça mesmo", completou. Com uma atuação dessas, não houve chances pra concorrência. Destaque para o looongo que trajava a jovem atriz; um vestido traiçoeiro.


Porque as outras perderam: 

Os jurados, na verdade, ate quiseram conferir a performance de Jessica Chastain, mas eles são, em sua maioria, velhinhos, que, fossem cardeais, já não teriam idade pra votar num Conclave; assim, quando chegou "A Hora Mais Escura", a maior parte ja estava dormindo. 

Com relação, de Naomi Watts, os membros da Academia nem se deram ao trabalho de ver “O Impossivel”, e mandaram a ex-mocinha de King Kong pentear macaco. 

Concorrentes muito mais fortes eram Emmanuelle Riva (“Amor”), 85 anos, a atriz mais velha a concorrer na categoria e Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora” – puta nome de novela mexicana, alias), de 9 anos, a mais jovem a ser indicada. Depois de ponderarem seriamente, chegaram à conclusão que a idade era um critério absolutamente idiota pra se decidir quem devia ganhar o premio. No fim, pesou também contra a atriz mirim, o fato de ser impossível pronunciar “Quvenzhané”.


Piadinha Cretina boraver.com

Para fechar o post com "chave de roda", e mostrar que não temos nenhum preconceito contra pessoas babacas (categoria zoada por nós há pouco tempo), resolvemos soltar o nosso próprio lado babaca e incluir a "piadinha cretina" abaixo":


Não se pode negar que a atriz Jennifer Lawrence fez juz ao seu vestido "tomara que caia".