Monday, January 28, 2013

Joan Miró - BoPAPla (Boraver no País das Artes Plásticas)

A idéia do BoPAPlá (boraver no país das artes plásticas), é interpretar pinturas, esculturas, gravuras, instalações, enfim, obras de arte relevantes, seguindo a ótica "boraveriana".

Para ler o texto introdutório sobre o conceito do BoPAPlá, clique AQUI.

Mas enfim, hoje falaremos sobre o pintor e escultor catalão Joan Miró, estudaremos cada fase da obra do artista e entenderemos sua obra segundo a ótica boraveriana (uma ótica heterodoxa, porém plausível, digamos assim). Afinal, o bacana não é a obra, mas a interpretação.

Joan Miró i Ferrà (Barcelona, 20 de abril de 1893 — Palma de Maiorca, 25 de dezembro de 1983) foi um importante escultor e pintor catalão.

Seguem abaixo as fases mais importantes da sua obra:

Miró Coxinha - 1916 - 1920


Mont Roig Church and Village - 1919
Miró começou a ter aulas de desenho aos sete anos em uma escola particular em Barcelona. Em 1907, matriculou-se na Academia de Belas Artes de La Llotja, estudou no Cercle Artístico de Sant Lluc e teve sua primeira exposição individual em 1918, na Galeria Dalmau, onde seu trabalho foi ridicularizado e desfigurado.

Na primeira fase da carreira Miró procurou mostrar que sabia pintar cenários, era caprichoso nos detalhes e perspectivas, mas sentia que aquilo ali não era o seu lugar.

Inspirado por exposições cubistas e surrealistas do exterior, Miró foi atraído para a comunidade artística que estava reunindo em Montparnasse, em 1920 mudou-se para Paris.

"Meu deus mas que cidade linda, no ano novo eu começo a trabalhar..."


Miró se perde na vida em busca de aventuras - 1921 - 1928

Em 1924 sob a má influência dos surrealistas da cidade luz Miró começou a viajar.  Aquele garoto comportado que pintava paisagens bucólicas resolveu entrar de vez naquela dança e aproveitar ao máximo a Paris dos anos 20 (que deve ter sido realmente bem animada, pelo menos segundo o relato do filme "meia noite em Paris"do mestre Woody Allen.


The Tilled Village - 1924 (top)
Painting - 1927 (bottom)
Nós do boraver não sabemos muito bem o que Miró, Dalí e essa galera andava tomando nessa época, mas com certeza era algo muito forte.  

A pintura ao lado representa, em teoria, a fazenda onde Miró cresceu em Mont-Roig, na Cataluña.  Uma versão um tanto ou quanto psicodélica da fazenda, é verdade. A pintura foi um sucesso.  Dizem que as paredes tem ouvidos, mas para Miró quem tinha ouvidos eram as árvores, assim como olhos, por via das dúvidas, tirem as crianças da sala...


As baladas dos anos 20 em Paris eram pesadas, e Miró procurava manter sua produção em dia entre um Engov e outro.  Durante ressacas homéricas e tendo que entregar encomendas que se amontoavam, miró começa a se afastar um pouco do estilo "Dalí" e decide que menos é mais.  Decide que não vai gastar mais de 30 minutos em cada quadro e que quem quiser que interprete do jeito que quiser.

Nem título para as pinturas Miró dá mais (exemplo da pintura ao lado, chamada simplesmente de "painting").



Neste momento Miró começa aos poucos a chutar o balde e produzir pinturas semelhantes a desenhos de crianças da 4 anos.  

O público adorou!!

Miró se casa e tenta espantar a clientela - 1929 - 1939


The two Philosophers - 1936
Em 1929 Miró abandona a vida bohemia de Paris, casa-se com Pilar Juncosa, e tem sua primeira filha, Dolores, em 1931.  Miró resolve se aquietar.  Nas suas sessões de terapia, porém, Miró se mostra incomodado com o sucesso, parece que qualquer coisa que ele pinte, vende, o que causa nele uma tremenda descrença na humanidade.

Junte-se a isso o desgosto pela situação política da Cataluña, que passava por uma guerra civil onde eventualmente perderia consideravelmente sua independência, tendo que subjugar-se a Madrid e à ditadura do General Franco.  Ainda mais triste para Miró, foi a má fase do seu querido FC Barcelona, que se tornou freguês de caderneta do arqui-rival Real Madrid na década de 1930.

Revoltado, Miró resolve pintar quadros feios, muito feios.  Espantar a clientela torna-se sua prioridade.  Não funcionou, o público adorou!!

Miró começa a aceitar o sucesso - 1940 - 1950


Toward the Rainbow - 1942
Cansado de tentar convencer o público a não gostar dele, Miró se conforma que nasceu com a bunda virada para a lua.  Começa a produzir de forma intensa, soltando um quadro novo a cada duas semanas.  Simplesmente pega uma tela e começa a enchê-la com figuras que lembram baratas, corvos e pássaros até encher a tela e então parte pra outra.  

Como era de se esperar, o público adorou!!














Miró amarra o cavalo na sombra - 1951 em diante

Já com a vida ganha, Miró já não contesta mais o fato de que vende qualquer coisa que fizer, e simplesmente se diverte pintando quadros que ficam prontos em 5 minutos.

(Miró conversando com Pablo Picasso numa mesa de bar em 1962)

- "Pablo, tou com uma puta preguiça hoje, acho que vou pintar um quadro todo laranja com 3 pontinhos pretos."
- "Pra que tanto? Pinta só dois..."
- "Verdade, dois tá bom né?"


Bleu III - 1961



Mural Paintings I - 1962








O público, é claro, adorou!!


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4 comments:

  1. O público1:56 PM

    adorei!!!

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  2. Muito simpático... (só 5 min!)

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  3. Anonymous6:36 AM

    Existem pessoas que causam por natureza própria seja qual for o ramo da sua arte....e assim leremos para sempre: o público adoru.....adorou e adorou....Eunápio Ramos

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  4. Pois é, se ele sentasse numa lata de tinta e desse bundadas no quadro, iriam achar o seu trabalho genial. Se ele escarrasse e deixasse secar e depois derrubasse pimenta moída com cola tenaz, iriam achar genial. Caso pintasse um dedo de cada cor e colocasse a mão de ponta cabeça no quadro, iriam achar genial...

    Criou fama, deite na cama. Já dizia, sábia, a minha avó.

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