Wednesday, January 02, 2013

Boraver no país das Artes Plásticas

A exemplo do que aconteceu com a série "for dummies" e "filosofia da sessão da tarde", a idéia é que este seja o primeiro de uma série de textos. A idéia do BoPAPlá (já estou usando sigla porque esse título, apesar de encantador, é um pouco extenso), é interpretar pinturas, esculturas, gravuras, instalações (devo confessar que sou meio careta e às vezes tenho medo de instalações), enfim, obras de arte relevantes, seguindo a ótica "boraveriana".

Apesar de não ser especialista no assunto, o que até facilita a aplicação da supra referida ótica, tive a oportunidade de visitar alguns dos museus mais famosos da Europa, como todo bom turista em visita ao velho continente (Prado, Reina Sofia, Museu Picasso, Museu Miró, Louvre, D'Orsay, Centre George Pompidou, Rijksmuseum, Museu Van Gogh, Uffizzi, Accademia, Museu do Vaticano, National Gallery, Tate Modern... ), e como todo bom turista enfrentei filas imensas, comprei brindes cafonas nas "gift shops", e li várias vezes aquela plaquinha que fica ao lado do quadro pra saber do que se tratava a obra, quem pintou, etc.

Mas bom mesmo é quando tem aquele guia com a explicação da obra, que fala o que exatamente Miró quis retratar com aquele risco vermelho e aqueles pingos pretos sobre um fundo azul:


Joan Miró - Bleu II - 1961

Só para constar o quadro acima é parte de um conjunto de 3 peças (junto com Bleu I e Bleu III, naturalmente), atualmente exposta no Centre Pompidou em Paris.  Segundo a sempre confiável wikipedia, a série de 3 peças abstratas surgiu dos seus sonhos e do subconsciente, muitas vezes o pintor catalão pintava livremente, sem realmente estar sob controle, deixando os pensamentos fluirem livremente com as mudanças de sua mente ao passar o pincel sobre a tela, uma técnica conhecida como "automatismo psíquico". Bleu II exemplifica seu estilo distinto, o artista usa pinceladas esparsas, uniformes em toda a tela, dando a enorme extensão da pintura um sentimento ainda mais vazia, o que é enfatizado ainda mais pelo azul distinguíveis de sonho do fundo. Bleu II é provavelmente a pintura de Miró em carteira que mais definitivamente expressa sua obsessão com paisagens oníricas e com um espaço vago e infinito.

Por curiosidade dei mais uma checada em outros sites que falam sobre Bleu II, um fala que o traço vermelho é uma faca, sendo os pontos pingos de sangue, outro fala que o quadro transmite o espírito livre da cultura Catalã...  

Ótica Boraveriana

A pintura, na verdade, representa uma série de quengas de coco de cabeça pra baixo, de tamanhos diferentes, repousando sobre um piso concretado azul.  A linha vermelha representa o limite permitido para o lançamento das quengas de coco, é por isso que as quengas que caíram ao lado esquerdo da linha foram retiradas e o lançador não pontuou na jogada.  A imagem, na verdade, é uma representação de um jogo similar à bocha, jogado por civilizações pré-colombianas no nordeste brasileiro utilizando quengas de coco (a linha vermelha era marcada com urucum).  

O piso concretado azul mostra a mistura do antigo com o novo. O cimento (e por consequência o concreto) não era conhecido pelos povos pré colombianos do nordeste brasileiro (e nem mesmo pelos primeiros colonizadores Europeus).  Miró, um grande apreciador do jogo de bocha, resolveu homenagear este jogo primitivo.  A genialidade do pintor está no piso concretado, que está lá apenas para confundir os estudiosos de história da arte.

Bom, esse é o espírito do BoPAPlá, a começar pela sigla, uma sigla lúdica, melodiosa, fácil de rimar, ao invés do óbvio B.P.A.P.  Interpretar é criar, é arte sobre arte, é arte ao quadrado.

Van Gogh, Monet, Dalí, Picasso, aguardem!!! O BoPAPlá não poupa ninguém...

1 comment:

  1. tava aqui triste, achando que esse dia foi completamente punk, quando me deparo com a sugestão de dar uma olhada no link. Parei, olhei, pensei que fosse sério, e li com a seriedade que pediria o artigo e...rachei o bico.
    Vou tentar em outro momento dar o meu pitaco.
    Antes que me esqueça, parabéns!

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